Textos que li por aí: Cartas - Blog Sem Clichê

Esse é mais um texto da Tag "Textos que li por aí". Esse é do blog Sem Clichê, achei o texto incrível, meio auto-ajuda, um pouco triste, e com uma pitada de incentivo. O blog Sem Clichê tem uma Tag que se chama "Cartas", lá a blogueira cria textos em forma de cartas, ao mesmo tempo que os assuntos são aleatórios, são também com bastante foco em relacionamento. Enfim, vêm ler:

"Flávio,


Você, da forma mais sacana e fofa do mundo, me mostrou o que eu não quero. Sacana, porque eu passei setenta mil longas noites pesquisando dentro do meu cérebro cansado onde estava a falha. Algo estava muito errado por você ter desistido tão fácil e fechado a porta do elevador em câmera lenta dizendo que ainda “me amava, mas”.

Demorei a perceber que era uma negação que transbordava no peito como uma menina mimada que não aceita perder. O gentil da sua parte foi sumir. Desaparecer por alguns anos. Como se nunca tivesse existido ou passado tantos meses usando a terceira gaveta do meu armário. Com você distante, enxerguei melhor.

Isso pode parecer grosseiro, lido assim de uma maneira tão seca, mas ter mostrado o que eu não quero, basicamente significou me libertar para o que eu quis depois. Eu quis pessoas muito melhores. Hoje, eu busco alguém muito melhor. E não estou dizendo que você é ruim. É só aquela história: algumas pessoas são feitas pra gente. Outras não. Você não foi feito para mim. E precisou ser meu para que eu entendesse isso. O meu melhor é o que é mais parecido comigo. O seu também deve ser.

Vê se entende. Essa é só uma carta egoísta de agradecimento, depois de ter tomado uma garrafa do vinho que você mais gosta. Hoje, não sinto vontade nenhuma de dizer para as pessoas que “terminamos nos gostando”, como uma justificativa de porque era tão legal e de repente acabou. Cá pra nós, nem elas se interessam mais na gente. 

Hoje, não lembro de você quando escuto Ella Fitzgerald e nem quando passo na sua rua escura para poder cortar o caminho daquela avenida. Hoje, não consigo lembrar exatamente do seu cheiro de roupa limpa. Eu fecho os olhos para sentir e não sinto nada. Faço força para desenhar na minha mente os seus traços. Não sei dizer se seus olhos são puxados ou não. Se a sua boca é pequena ou grande. Se seu nariz é meio torto ou é só coisa da minha cabeça. Mas lembro o seu vinho preferido, e é por isso que tomei coragem para te escrever.

Certo dia fui em uma cartomante e ela disse que nós tínhamos uma conexão de vidas passadas. Achei a maior loucura. Falou que eu e você pagamos juntos no presente por algo muito ruim que te fiz em outra vida. Vai saber. Disse também que a sua passagem pela minha história seria intensa, mas não deixaria muitos rastros. Na época, acreditei em tudo. Fazia muito mais sentido do que o que a Clara e a Tatiana me falavam como consolo. Elas te xingavam e diziam que eu era meio louca de ainda chorar por alguém tão egoísta. Precisei da cartomante e de uma resposta genérica para curar o meu vício de falar a respeito de você. Todas as minhas amigas agradeceram.

Não sei se conseguiria te fazer algum mal em outras vidas, mas caso isso tenha acontecido, estamos quites. Sofrer você me abriu um mundo de possibilidades muito maior em busca do que eu realmente quero no amor. Eu aprendi da forma mais torta possível o que eu não busco em alguém. Você foi aquela parte da história que renasce dentro da mocinha a vontade de aprender tudo de novo. Alguém de novo.

Obrigada e se cuida,

Luiza."



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