Um amor que vai além da vida ♡




Levantei da cama, acendi a luz, peguei um diário que ganhei da minha tia, e sentei na cama para ler. Este diário não é apenas um diário, foi de alguém que já não está mais aqui. Foi da minha prima, ela faleceu de câncer aos 19 anos - quando isto aconteceu eu tinha uns 6 anos de idade -, lembro pouco dela, mas as lembranças que tenho, são as melhores possíveis. 

Minha tia - por algum motivo - resolveu deixar comigo dois diários dessa minha prima. Mas nesta madrugada, peguei apenas um para ler.

Uma das coisas que mais me fazem arrepiar quando leio ele, é que logo na primeira página está escrito: "Se um dia eu não estiver mais aqui. Quero que este diário fique com alguém da família, guarde-o com carinho, e também escreva aqui da sua vida". Quando ela escreveu isto, ela ainda não estava doente. E toda vez que leio essa frase, me sinto na obrigação de sorrir por ela. 

Vocês devem estar se perguntando "Por que você está fazendo esse post, Luz?". Pois bem, vou responder. Estou fazendo este post pra chegar à um assunto de foco, mas calma, vou chegar.

Seu nome era Nailza.

Nós tínhamos um apelido que era só nosso: "Jum". Não sei o porque até hoje, mas ela me chamava assim, e eu a chamava assim também.

Ela era linda, e tinha uma alegria dentro dela que esbanjava brilho! Lendo o diário dela, e lendo o blog, cadernos, coisas minhas, diriam que somos parecidas em muitas coisas. Uma amiga minha que permiti ler o diário, disse exatamente isso "Tô boba. Mesmo sonhos, mesma forma de escrever, mesmos objetivos!". Estranho. Muito estranho. Só isso. Claro!

Bom, agora cheguei no meu foco: Coisas que me chamam à atenção toda vez que leio o diário dela.

Ela tinha uma imensa vontade de viver, vivia escrevendo sobre um amor platônico - aqueles do colegial, sabe?! -, e sobre vários sonhos que ela tinha. Um dos seus maiores sonhos descritos ali era viajar para fora do Brasil. Outros sonhos que ela citou, era o de construir uma família, estudar, ter ao lado quem ela amava, e ser feliz. Mas ela também citou um medo, o de morrer.

Às vezes me pego pensando em tudo o que ela sonhou, planejou, e caio em lágrimas por ver que ela não teve a chance de realizar nada daquilo que um dia ela almejou pra sua vida. E aí então vejo que realmente não vale a pena nós ficarmos reclamando tanto das coisas. Reclamamos de coisas que queríamos e não temos, relacionamento, amizades, cabelo, corpo, unhas, sapatos, roupas, pessoas! Agora eu pergunto pra você e pra mim mesma: PORQUE? Porque simplesmente não damos valor à vida? Minha prima queria viver, ela desejou muito não estar doente. E mesmo sofrendo e vendo a família sofrer, ela NUNCA parou de sorrir. Houve um dia em que ela riu bastante (Minha família me contou), ela comeu tudo o que tinha vontade, e sorriu como se soubesse que aquele era mesmo seu último dia de vida. Infelizmente no outro dia, ela veio à falecer. Deixando para trás sonhos e planos. 

Hoje, eu queria dar um abraço bem forte nela. Apesar da pouca idade que eu tinha, sinto um amor incontrolável por ela, não sei explicar, e nunca vou saber. É um amor tão puro, tão sincero, tão meu e dela. Nunca vou esquecer daquele sorriso ao me ver chegando na cozinha, e ela sentada na cadeira batia com as mãos no colo para que eu fosse correndo lá e abraçá-la. Minha família diz que eu era o xodó da minha prima, era a bonequinha dela. 

Não sabemos mesmo o dia de amanhã, isso é mais que certo. Então que possamos demonstrar mais amor às pessoas que estão ao nosso lado, e dar valor nas pequenas coisas da vida. 


"Deus, abraça ela por mim".









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